Geral
| 27/01/2009
| 20h13min
Uma manifestação de estudantes de diversas instituições de ensino resultou em tumulto no centro da Capital na tarde desta terça-feira. Munido de bandeiras e cartazes, o grupo organizou uma caminhada em protesto contra o aumento previsto nas passagens de ônibus de Porto Alegre. Os estudantes subiam a Esquina Democrática e ingressavam na Avenida Salgado Filho quando receberam a escolta da Brigada Militar.
Em pouco segundos, os policiais cercaram o grupo e tentaram dispersar os manifestantes, que continuaram na avenida, dando início a um confronto. Dezenas de policiais reprimiram os estudantes mais exaltados. Oito manifestantes foram algemados e levados para o 9º Batalhão da Polícia Militar.
Lá, tiveram de assinar um termo circunstanciado por lesão corporal, desacato e desobediência. O confronto resultou em oito estudantes feridos e cinco policiais com lesões leves. Todos foram encaminhados para o Hospital de Pronto Socorro e liberados ainda na noite desta terça-feira.
A estudante da PUCRS Carina Kunze, 20 anos, uma das manifestantes detidas, reclama da truculência dos policiais.
— Eles chegaram batendo. Nunca tinha visto nada parecido. Me derrubaram no chão e me algemaram com muita força. Tive amigos que ficaram bastante machucados. Eles bateram com vontade — diz.
De acordo com a presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Julio de Castilhos, Ludimilla Fagundes, a reação dos policiais contrastou com o clima pacífico da manifestação:
— Não havia motivo para tanta violência. Queremos o congelamento das passagens e não policiais nos agredindo em plena via pública.
De acordo com o major Alfeu Freitas, comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar, a utilização da força por parte dos policiais visou evitar transtornos no trânsito da Capital.
— Nós pedimos verbalmente para que eles liberassem a via, mas não fomos atendidos. Nossa função é restabelecer a ordem pública e foi isso que fizemos. Infelizmente fomos obrigados e utilizar força moderada para cumprir com nosso papel — relata.
DESOBEDEÇA PRESENTE:
O Grupo Desobedeça GLBT - Direitos Humanos, estava presente na manifestação e presenciamos o momento em que o Tenente Vargas manda agredir os estudantes que ocupavam meia pista da Avenida Salgado Filho, em manifestação pacífica e que até aquele momento estava tranquila.
Infelizmente vimos hoje uma polícia militar que trabalha com uma lógica ultrapassada, somente vista na época do nazismo e da ditadura militar.
Cadê o direito das pessoas se manifestar, contra algo que é fundamental, que é a passagem do trabalhador, do estudante, que todo o ano a Prefeitura aumenta sem debater com ninguém.
Jovens, estudantes agredidos, vários no hospital, alguns algemados, tendo desrespeitado seu direito à dignidade.
O Governo Yeda e Fogaça demonstraram hoje truculência e sua policia militar demonstrou despreparo para lidar com a população. Esta não é a função da polícia militar.
Vejam fotos do Grupo Desobedeça GLBT:




