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NOTA DE REPÚDIO À HOMOFOBIA NA PARADA DE SÃO PAULO
E À BRIGADA MILITAR DE PORTO ALEGRE
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Considerando as práticas homofóbicas ocorridas durante a realização da XIII Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a ONG Desobedeça GLBT-DH de Porto Alegre vem a público mostrar sua indignação e a mais profunda solidariedade às vítimas e ao conjunto das pessoas LGBT paulistanas. Solidarizamos-nos em especial com a família e os amigos de Marcelo Campos Barros, espancado até a morte por um criminoso grupo de extrema direita homofóbico.
O atentado contra a vida e o direito de se manifestar sofrido em plena Parada por pessoas que se reuniram para celebrar sua diversidade deixa, mais que nunca, evidente o desafio que se impõe à conquista da igualdade e à busca de dignidade por pessoas que se insiste renitentemente em marginalizar. É inegável que, apesar das adversidades, a comunidade LGBT vem conquistando direitos e dizendo basta a abusos e arbitrariedades, no entanto, um ato de intolerância extremado como este que todo(as) fomos obrigados(as) a testemunhar serve como um lamentável alerta de que o caminho para o respeito é penoso e que, apesar dos avanços, ainda damos nossos primeiros passos.
Ao se fazer uma reflexão um pouco mais aprofundada sobre a situação das pessoas que vivem sob a histórica opressão homofóbica, ou seja, todas e todos, homens e mulheres, homo e heterossexuais, não se pode receber com outro sentimento senão com indignação o desaforo e a audácia desse ato de intolerância, que parece querer nos provocar e nos agredir.
Em face desse tipo de provocação, vimos repudiar também as práticas opressoras da Polícia Militar em Porto Alegre que, cedendo ao loby de sua comunidade preconceituosa e homofóbica, reitera a discriminação desavergonhada aos jovens que frequentam a Rua Lima e Silva, especialmente o Shopping Olaria, aos domingos. Em uma ação arbitrária, no último domingo, dia 21/06, a polícia expulsou as pessoas de seu tradicional local de socialização sob a alegação de que os moradores estavam incomodados e dissuadiu os jovens de mostrarem seu afeto em público sob o argumento de que seria "ilegal duas pessoas do mesmo sexo se beijarem em via pública" e de que isso era "obsceno".
Da mesma forma, no entanto, que a ofensa é ousada, nós seremos na mesma medida ousados(as) em nossa contrapartida. Quando a heteronormatividade assume sua face terrorista nossa resposta não será o silêncio. Precisamos usar o fogo inimigo para mantermos acesa a chama de nossa revolta e lutarmos contra o sistema que nos oprime e humilha.
Em 28 de junho de 1969 a comunidade LGBT de Nova York, pressionada pelos atos de repressão policial, se levantou contra a homofobia característica dessa instituição e contra os grupos de extrema direita americanos, promovendo um verdadeiro levante dos oprimidos, que entrou para a história: o motim de Stonewall. Quarenta anos depois, as lições do passado vêm nos conclamar a modificar o presente.
Para o Desobedeça, as Paradas do Orgulho são um espaço democrático, plural e de ativismo da comunidade LGBT, ainda degredada a guetos, mesmo apesar da falsa idéia de inclusão propiciada pelo poder de consumo. Mais que nunca o movimento é obrigado a repensar os propósitos e as finalidades de sua principal plataforma política. O Desobedeça tem uma concepção de Parada pautada pela luta e pela reivindicação da conquista e do pleno usufruto de direitos para todos(as), construindo-a coletivamente com o conjunto dos oprimidos e dos movimentos sociais.
Por isso, nós do Desobedeça temos o orgulho de convidar a todos(as) aqueles(as) que não admitem a homofobia ou qualquer tipo de intolerância para comparecerem, no dia 28 de junho, às13 horas, à “Miniparada do Orgulho LGBT” e fazer suas vozes serem ouvidas. Contamos com a parceria de todo o movimento social que toma como sua a luta contra a homofobia.
DESOBEDEÇA GLBT-DH
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