O Grupo Desobedeça GLBT – Direitos Humanos vem a público demonstrar o seu apoio às manifestações pelo afastamento da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). Entendemos que este é um governo corrupto, autoritário, repressor e que não respeita os direitos humanos e da população LGBTTT.
O governo perseguiu fortemente os movimentos sociais e tentou de várias formas criminalizá-los. O caso do fechamento das Escolas Itinerantes do MST foi um dos mais emblemáticos. A recente morte do integrante do MST Élton Brum da Silva, atingido pelo tiro de uma arma provavelmente pertencente a um policial militar, demonstra que as intenções do governo continuam as mesmas. A Brigada Militar estava fortemente armada, procedimento excessivo quando se leva em conta que os policiais estavam apenas cumprindo um mandado de reintegração de posse.
A prisão da vereadora de Porto Alegre Fernanda Melchionna (PSOL) e da presidente e 1ª vice-presidente do CPERS (Rejane de Oliveira e Neida Oliveira, respectivamente), em julho de 2009, durante manifestação em frente à suspeita mansão de Yeda deixa claro que o governo quer calar as vozes de quem não concorda com suas medidas. Ocorreu uma brutal repressão policial durante a greve dos bancários em 2008, assim como o corte do ponto de professores grevistas no final desse mesmo ano.
Se por um lado a governadora promove desmonte dos serviços públicos, arrocho salarial dos servidores e se nega a pagar o piso nacional de R$ 950,00 para professores sob a desculpa da necessidade do “ajuste fiscal”, por outro aumenta seu próprio salário de 7 mil reais para 17 mil (ou seja, um bônus de mais de 143%).
Yeda Crusius e vários integrantes de seu governo estão envolvidos em sérias denúncias de corrupção: a fraude no DETRAN roubou mais de 44 milhões de reais dos cofres públicos.
O governo discrimina adeptos de cultos de matriz africana, mandou a Brigada Militar reprimir com violência um ato pacífico contra o aumento do preço da passagem dos ônibus de Porto Alegre (em 27 de janeiro de 2009) e intimidar a população GLBT que se encontrava na frente do Centro Comercial Nova Olaria em 21 de junho de 2009. Nessas duas últimas ocasiões, integrantes do Desobedeça presenciaram a truculência das forças policiais.
Por tudo isso, achamos que esse governo não pode continuar. Porém, sua queda só virá com muita luta. Será necessária muita mobilização para que a CPI da Corrupção não acabe em mais uma “pizza”, como no caso Sarney, e que os culpados paguem pelo que fizeram. Mesmo que Yeda ainda não tenha caído, pensamos que o vice-governador Paulo Feijó (DEM) segue a mesma lógica de governo, com desmonte dos serviços públicos, arrocho salarial e perseguição aos movimentos sociais, mesmo que manifeste divergências com a governadora. É necessária a convocação de novas eleições, para que a população gaúcha possa escolher quem quer para o governo do Estado.
Foram criados Comitês “Fora Yeda: Impeachment Já!” em três cidades (Pelotas, Santa Maria e Passo Fundo), além do Comitê Estadual (em Porto Alegre). Eles buscam agregar e convocar tod@s que queiram derrubar este governo, por isso o Desobedeça já é parceiro dessa luta. |